BIX Tecnologia

Infraestrutura multi-cloud com Terraform e automação de CI/CD (Sem dores de cabeça)

9 min de leitura
Infraestrutura multi-cloud com Terraform e automação de CI/CD (Sem dores de cabeça)

Tire o seu projeto do papel

Compartilhar

Gerenciar a infraestrutura em mais de um provedor de nuvem pode parecer como equilibrar tochas acesas: você ganha resiliência e flexibilidade, mas a complexidade pode subir rapidamente. A boa notícia é que a infraestrutura multi-cloud com Terraform — combinada com pipelines automatizados — oferece uma maneira prática e repetível de provisionar, validar e implantar recursos com segurança na AWS, Azure e Google Cloud.

Neste guia, você vai aprender a desenhar uma estratégia sólida de multi-cloud, estruturar o código Terraform para escala e implementar a automação de CI/CD. Essas práticas reduzem erros, fortalecem a governança e aceleram a entrega de tecnologia de forma profissional e aplicada ao mundo real.

Por que Multi-Cloud? Benefícios reais (e trocas reais)

Muitas empresas escolhem uma abordagem multi-cloud por razões estratégicas, mas é essencial ter realismo sobre os ganhos e os custos envolvidos.

Benefícios principais da infraestrutura multi-cloud

Redução de vendor lock-in: flexibilidade para trocar cargas de trabalho ou negociar preços.

Alta disponibilidade e resiliência: distribuição de riscos entre diferentes provedores e regiões.

Melhores serviços de cada categoria: uso das ferramentas mais fortes de cada nuvem.

Conformidade e residência de dados: atendimento a regulamentações hospedando dados em jurisdições específicas.

Trocas comuns para planejar

Complexidade operacional: diferentes modelos de identidade, redes, serviços e faturamento.

Ferramentas inconsistentes: serviços de logging, monitoramento e segurança variam bastante.

Lacuna de habilidades: as equipes podem precisar de treinamento em múltiplos provedores.

Desafios de governança: a padronização se torna essencial para evitar o caos.

A solução não é “evitar a multi-cloud”, mas sim padronizar como você provisiona e gerencia a infraestrutura. É exatamente onde o Terraform e os pipelines automatizados se destacam.

Terraform como base para a infraestrutura multi-cloud

Esta tecnologia é uma das ferramentas mais utilizadas para Infraestrutura como Código (IaC) porque oferece:

Um fluxo de trabalho consistente entre nuvens;

Provisionamento declarativo com rastreamento de estado;

Um ecossistema de módulos robusto;

Integrações de política e automação para governança.

Por que o Terraform funciona bem para multi-cloud

Com esta ferramenta, você define a infraestrutura em uma linguagem consistente (HCL) e alterna provedores usando blocos de provider explícitos. Mais importante ainda, você aplica as mesmas práticas de engenharia — versionamento, revisões de código, testes e automação de pipeline — independentemente da nuvem de destino.

Projetando uma arquitetura Terraform multi-cloud escalável

O sucesso do multi-cloud não é apenas fazer o “terraform apply” funcionar. É desenhar uma arquitetura que permaneça fácil de manter conforme a plataforma cresce.

1) Use módulos como blocos de construção

Os módulos do Terraform ajudam a padronizar padrões entre nuvens, como redes, bases de computação, políticas de IAM e observabilidade.

Exemplos práticos de módulos:

Módulo de rede: cria VPC/VNet, subnets, rotas, NAT e regras de firewall.

Módulo de computação: lança conjuntos de escala de VMs, grupos de autoescalonamento ou modelos de instância.

Módulo de Kubernetes: provisiona EKS/AKS/GKE e complementos de cluster padrão.

Módulo de segurança: define padrões de criptografia, grupos de segurança e integrações de gestão de chaves.

Uma regra de ouro: os módulos devem codificar os padrões da sua organização, não apenas as primitivas do provedor.

2) Adote uma estratégia de ambiente limpa (dev/stage/prod)

Organize seu projeto Terraform para que você possa:

Implantar os mesmos padrões em diferentes ambientes;

Manter as diferenças de configuração mínimas e explícitas;

Prevenir alterações acidentais na produção.

As abordagens comuns incluem diretórios por ambiente (simples e explícito), uso de workspaces (requer disciplina) ou ferramentas como o Terra Grunt para grandes propriedades.

3) Use estado remoto com bloqueio

O estado remoto (remote state) é essencial para a colaboração em equipe e automação segura. Ele permite o acesso compartilhado ao estado, evita alterações conflitantes via bloqueios (locks) e suporta backups e segurança dos dados da infraestrutura.

Padronização Multi-Cloud: O que normalizar vs. O que customizar

Um erro comum é tentar fazer a AWS, e Azure e o GCP parecerem idênticos. Eles não são. Em vez disso, foque em uma “intenção consistente” em vez de uma “implementação idêntica”.

Normalize estas preocupações entre nuvens:

Convenções de nomenclatura: nomes de recursos, etiquetas e labels.

Mapeamento de identidade: funções, service principals e workload identity.

Princípios de topologia de rede: segmentação, entrada/saída e DNS.

Saídas de logs e monitoramento: métricas e logs enviados para uma plataforma compartilhada.

Bases de segurança: criptografia, privilégio mínimo e tratamento de segredos.

Customize estes componentes específicos do provedor:

Diferenças de serviços gerenciados (balanceadores de carga, firewalls, NAT);

Ferramentas de segurança nativas do provedor;

Capacidades exclusivas de serviço (certos bancos de dados ou serviços de análise).

Automatizando o Terraform com pipelines de CI/CD

Quando o código do Terraform é modular e orientado por padrões, os pipelines de automação o transformam em um mecanismo de entrega confiável. Um pipeline forte geralmente inclui:

1) Formatação e validação (feedback rápido)

Use terraform fmt para manter o estilo consistente e terraform validate para garantir a correção básica. A análise estática e o linting do provedor também são recomendados para evitar erros comuns.

2) Verificações de segurança e políticas (shift-left governance)

Adicione verificações automatizadas para grupos de segurança abertos, armazenamento exposto publicamente, falta de criptografia ou funções de IAM com permissões excessivas. Muitas equipes integram ferramentas de policy-as-code para que os pull requests falhem cedo se a infraestrutura violar padrões de segurança.

3) Plan em cada pull request

Uma prática recomendada é gerar um Terraform plan no CI para cada alteração. Publique a saída do plano no pull request para revisão e exija aprovações antes do apply. Isso cria transparência e evita “infraestrutura surpresa”.

4) Apply apenas de branches protegidas

As alterações de infraestrutura devem ser aplicadas apenas quando o código é mesclado em uma ramificação protegida (como a main), as aprovações estão completas e as políticas aprovadas. Em ambientes multi-cloud, esse controle é fundamental, pois os erros podem se replicar rapidamente.

Autenticação e Segredos: O detalhe decisivo na Multi-Cloud

Contudo, a automação do Terraform falha frequentemente devido à dispersão de identidades e segredos. Busque utilizar credenciais de curta duração, integração de workload identity ou OIDC entre o CI e os provedores de nuvem. Utilize gerenciadores de segredos para valores sensíveis e nunca envie segredos para o Git. Centralizar a rotação de segredos facilitará muito o gerenciamento futuro.

Observabilidade e gestão de drift no Terraform Multi-Cloud

Portanto, a infraestrutura não permanece perfeita após o provisionamento. Serviços se ajustam e políticas mudam. Para manter o controle, agende um trabalho recorrente (diário ou semanal) para executar o terraform plan contra os ambientes implantados e alertar se um drift (desvio) for detectado. Monitore o próprio pipeline, acompanhando falhas de aplicação e auditando quem aprovou cada mudança.

Erros comuns no Terraform Multi-Cloud (e como evitá-los)

Erro 1: Copiar e colar infraestrutura por provedor. Solução: use módulos e convenções compartilhadas.

Erro 2: Um arquivo de estado gigante. Solução: divida o estado por domínio (rede, identidade, stack de app) ou por ambiente.

Erro 3: Sem verificações de política no CI/CD. Solução: integre varredura de segurança e policy-as-code cedo.

Erro 4: Applies manuais de laptops. Solução: aplique apenas via pipelines com aprovações e logs.

Erro 5: Ignorar a governança de custos. Solução: force o uso de etiquetas, adicione alertas de orçamento e revise mudanças que aumentem o gasto.

Exemplo de fluxo de trabalho multi-cloud (Ponta a ponta)

Aqui está um fluxo prático que você pode adotar:

O engenheiro abre um pull request com mudanças no Terraform;

O CI executa formatação, validação, verificações de segurança e o plano para os provedores relevantes;

O revisor verifica a saída do plano e aprova;

O merge para a main dispara o apply em um pipeline protegido;

O pipeline armazena o estado remotamente e registra as ações para auditoria;

A detecção de drift agendada roda todas as noites e gera alertas se necessário.

Mesmo em cenários de alta complexidade, esse fluxo é incrivelmente eficaz quando padronizado. A BIX Tecnologia trabalha com as principais soluções de nuvem e pode ajudar sua equipe a estruturar essa jornada. Se sua empresa está avaliando provedores, migrando cargas de trabalho ou buscando melhorar a governança, nossos especialistas podem ajudar a desenhar a melhor arquitetura para o seu contexto. Fale com a nossa equipe e avance na maturidade dos seus dados. ⬇️

TL; DR Perguntas frequentes sobre infraestrutura multi-cloud

  1. O que é infraestrutura multi-cloud? É a execução de cargas de trabalho em dois ou mais provedores de nuvem (como AWS, Azure e GCP). Isso reduz a dependência de um único fornecedor e melhora a resiliência.
  2. O Terraform pode gerenciar diferentes nuvens no mesmo projeto? Sim. O Terraform suporta múltiplos provedores. As equipes costumam separar as pilhas por provedor para clareza ou usar um repositório unificado com módulos distintos.
  3. Quais são as boas práticas para o estado do Terraform? Use sempre estado remoto com bloqueio de escrita. Fragmente o estado por ambiente e domínio para limitar o raio de impacto de possíveis falhas.
  4. Como o CI/CD melhora a segurança do Terraform? Ele garante que cada mudança passe por validação, varredura de segurança e revisão de pares antes de ser aplicada, eliminando o erro humano em processos manuais.
  5. Como lidar com segredos em ambientes multi-cloud? O ideal é usar identidades de curta duração integradas ao CI e gerenciadores de segredos nativos ou centralizados, evitando qualquer dado sensível no código.

Quer agilidade na entrega de software na sua empresa?

Saiba como podemos resolver isso.

Fale com nossos especialistas

Receba uma proposta sem compromisso.

Time BIX